Manutenção de Lagos

Aeração com Difusores de Membrana

Lagos, lagoas e tanques com boa água, representam importante ativo para irrigação, criação de animais e consumo humano, além de valorizar a paisagem e permitir atividades recreativas. O projeto de um reservatório, independente da finalidade, deve controlar a qualidade e quantidade de água que o abastece e prever a manutenção periódica da vegetação aquática, derivada do solo e detritos orgânicos dissolvidos. A vegetação aquática deteriora a qualidade da água, principalmente em sabor, transparência e odor. Algumas algas, vegetais diminutos, desprovido de raízes e crescendo na superfície, podem ser tóxicas aos animais e apresentar um crescimento desordenado principalmente no verão. As algas podem ainda aparecer na forma filamentosa ou ramificada, mais parecidas com plantas aquáticas, que, mais desenvolvidas, apresentam raízes, folhas, ramos e flores. Podem ser submersas, emergentes, flutuantes ancoradas ou não, denotando também grande capacidade invasiva.


Controle Preventivo

A qualidade da água, medida pela cor, odor, sabor, presença de microorganismos e, transparência é afetada pelo recebimento de águas de chuva e outros afluentes que cheguem carregados de solo e outros detritos. Medidas simples de controle de erosão, construção de áreas de inundação anexas à lagoa, plantio de grama nos cursos de acesso à lagoa e nas margens, manutenção desta grama baixa, elevação das bordas da lagoa e manter os animais afastados, podem ajudar.

Outras Medidas de Controle

Além das medidas preventivas, via redução de nutrientes, o controle da vegetação se dá por meios mecânicos, manuais, químicos e ainda por aeração . O controle químico com Sulfato de Cobre é usado para controle de algas, dosado a 300-600 gr/1000 m3 de água, pulverizado ou diluído na superfície dentro de saquinhos de tecido. É um produto tóxico, dosagens maiores podem eliminar organismos benéficos como o zooplancton e peixes. Por ter ação rápida sobre as algas, toxinas em quantidade podem ser liberadas, representando um perigo para os animais. Mantenha-os afastados por, pelo menos, 2 semanas. Lagos com peixes devem merecer atenção redobrada, pois com a morte das algas há um consumo repentino de oxigênio, podendo matar peixes. Costuma-se tratar apenas 1/3 da área de cada vez, espaçando um dia entre tratamentos. A Cal Hidratada pode ser usada em tanques com infestações de algas e plantas aquáticas com dosagens entre 120-240 Kg/1000 m3 de água, previamente misturada numa pequena quantidade de água e então bombeada e espalhada sobre a lagoa. É um bom coagulante e precipitante de algas, nutrientes e plantas aquáticas submersas. A turbidez é geralmente diminuída, mas em tanques com peixes a cal não pode ser usada. O uso de herbicidas como o Diquat, pulverizado diretamente sobre as plantas, é indicado para controle de plantas aquáticas emergentes e submersas, além de algas. O produto é tóxico, portanto água para consumo do gado ou humano deve merecer restrições. Obedecer ao prazo de carência.

Lago Tratado com peixes

Aeração

A aeração melhora inúmeras condições da água:
1. neutraliza o pH para valores próximos de 7 fazendo precipitar o fósforo, o cálcio e outros nutrientes dissolvidos, prevenindo o aparecimento das algas. Este aumento de pH, também faz desaparecer a amônia, que é transformada em gás nitrogênio, por ação bacteriana;
2. eleva os níveis de oxigênio dissolvido permitindo a criação de peixes e o uso de todo o volume de água disponível; 


gráfico nível de oxigênio

3. Oxida diretamente o ferro e o manganês precipitando-os retirando a cor negra e melhorando a transparência em pouco tempo;

Parâmetro

Oxigênio dissolvido
(mg/litro)
Ferro (mg/litro)
Fósforo (mg/litro)
Aerado

14,3

0,04
0,05
Não Aerado

0,4

1,5
0,15


4. oxida diretamente o gás sulfídrico (H2S), cheiro de ovo podre e expulsa o gás carbônico (CO2) para a atmosfera, também nutriente de algas e plantas aquáticas;
5. oxida a matéria orgânica e incrementa a ação de microorganismos que a decompõem;
6. favorece o desenvolvimento de microorganismos aeróbicos controlando os anaeróbicos, normalmente causadores de doenças a peixes e humanos;
7. aumenta a taxa de conversão alimentar dos peixes pois passam a se alimentar mais;
8. faz desenvolver a fauna e flora que se alimenta dos sedimentos aerados;
9. promove o desenvolvimento do zooplancton, alimento de peixes onívoros,
10. acaba com os gases venenosos por oxidação e também os retira do meio por substituição, entre eles, o gás sulfídrico, a amônia e o metano;
11. desestratifica a temperatura de superfície e fundo, deixando-as praticamente iguais e habitáveis, com 0,5 ° C de diferença.

A aeração previne o efeito da inversão de camadas de água:

Tanques e lagoas normalmente não sustentam adequadamente a existência de peixes em todo o volume de água pois estes necessitam níveis de oxigênio acima de 5 mg/l. Sabemos que no fundo das lagoas, os valores se aproximam de 0-2 mg/l e que esta falta crônica leva a uma decomposição anaeróbica dos detritos que, por sua vez, gera acidez e gases tóxicos tornando a região inabitável. Sucede que, por ação de ventos fortes ou tempestades, estes gases podem emergir, por movimentação brusca da água, levando a população a uma mortandade repentina. A aeração é a única prática econômica de prevenção deste fenômeno.

Aeração de Fundo

Aeração de Fundo

Sistema Laboratório

Sistema Laboratório


Aeradores - Estudo Comparativo de Eficiência: Estudos de 95, realizados em Universidades do Canadá, após 3 anos de pesquisas em 18 lagos, testando os vários tipos de aeração, concluíram:
· A aeração previne as condições de aparecimento de águas negras e mal cheirosas que têm origem no fundo da lagoa;
· A aeração remove o mau cheiro de gás sulfídrico e transforma a qualidade da água tornando-a apta ao consumo.

A respeito dos métodos:

· Aeradores de superfície não alteram condições abaixo de sua zona de atuação;
· Aeradores de profundidade de microbolhas são mais eficientes na oxigenação e capacidade de movimentar a água que os de bolhas maiores;
· A água movimentada pelos aeradores de profundidade faz circular todo o volume de água da lagoa, lentamente, várias vezes ao longo do dia, propiciando uma oxigenação homogênea de todo o perfil aquoso, sendo portanto os mais indicados;
· Quanto maior a profundidade a que o aerador é colocado, maior a movimentação e menor a necessidade de difusores;
· Pedras porosas tendem a necessitar de limpeza anual ou semestral, devido a entupimentos maiores que nas de membranas.

No Canadá e EUA, a prática da aeração de lagoas é comum também no inverno por não permitir o congelamento da crosta, mantendo vivo o zooplancton e as algas, alimento de peixe. A aeração com jatos, fontes, repuxos, etc., tem valor ornamental ou decorativo, estes equipamentos não são efetivos na aeração; a oxigenação fica restrita à camada superficial. O mau cheiro permanece, a cor não melhora e a lama de fundo não desaparece.

Aeração em lagos

Aeradores de Membrana: Classificados entre os melhores aeradores de profundidade pela pesquisa canadense e de uso consagrado nos EUA, o aerador de membrana é um sistema:
- natural, não turbulento e silencioso;
- oxigena em profundidade e mantém 4 - 8 mg/l de oxigênio em todo o perfil;
- mantém a temperatura da água constante, entre o fundo e a superfície;
- precipita 97% do cálcio e do fósforo, elimina a amônia, reduz em até 30 cm, ao ano, os depósitos orgânicos sedimentares;
- oxida o ferro e o manganês em 1-5 semanas, com resultados diretos na cor e transparência;
- é leve, fácil de transportar e instalar, tem um sistema liga-desliga centralizado, sem cabos elétricos entrando na água e é de baixa manutenção;
- lança mão de compressores de baixa potencia (1/2 - ¾ HP) que aeram e oxigenam volumes de água de 5-100 mil m3, dependendo da profundidade, - têm o mais baixo consumo de energia por kg de oxigênio dissolvido.

Difusores colocados a 30 metros movimentam volumes de 200-300 m3/hora de água por m3 de ar injetado; em aqüicultura, com profundidades de 1-3 metros, 1 m3 de ar movimenta 10- 50 m3 de água.
Equipamento: O Equipamento consiste de uma membrana micro-perfurada de uma borracha especial, resistente à oxidação, que dá vazão ao ar soprado, transformando-o em micro bolhas que, no seu caminho em busca da superfície, oxigenam o sistema.

Instalação do aerador e do compressor

O difusor é colocado no fundo, na zona de maior profundidade, normalmente no centro da lagoa. Um cuidado especial deve ser tomado em lagos antigos, normalmente com grande acúmulo de lama orgânica no fundo e produção de gases, o aprofundamento do aerador deve ser feito gradualmente, 30 cm/dia ou menos, pois a aeração pode liberar e espalhar, rapidamente, por todo o lago, quantidades tóxicas de gases e matar os peixes. Fique atento ao cheiro das bolhas ascendentes. Um sistema de flutuação que mantenha o equipamento suspenso deve ser improvisado, como por ex., uma câmara de ar ou uma bóia, ancorada ao fundo do lago por uma pedra ou um bloco de cimento.

A mangueira de canalização do ar, que vai ao fundo do lago, é do tipo utilizada para irrigação, de ½ polegada e pode ter até 1 km de comprimento. Deve ser enterrada ou presa no fundo do lago com tijolos, garrafas de polipropileno com areia, etc., a cada 1 - 2 metros. A cabine do compressor deve protege-lo das intempéries, como sol e chuva e, se for o caso, com parede acústica para evitar maiores ruídos. A SNatural oferece um modelo simples em compensado naval.

Compressor de no mínimo 30 litros/min de ar, que permitam 1,4 bar de pressão, são o bastante parta tratar volumes de 5000 m3 de água (área equivalente a 2000- 4000 m2, dependendo da profundidade).Tanques rasos de 1- 2 m de profundidade, necessitam de mais de 1 ou 2 difusores, para uma mesma área.

Compressores de Pistão são de grande resistência, agüentam uso continuo e de fácil manutenção. Podem ser usados também para piscicultura. São capazes de produzir de 80 a 300 litros de ar/minuto a 8 bar com motores de ½ a 1 HP. São equipados com protetor térmico com alarme manual e pressostatos de segurança. Outro tipo de compressor que pode ser utilizado é o tipo centrifugo ou rotor de uso comum na aqüicultura intensiva (foto à direita), pelo enorme volume de ar que proporciona ( 550 a 6 000 litros de ar/min), com motores de 0,25 a 7,5 CV.


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